Vício em videogame: sinais, impactos e como buscar ajuda para seu filho
Postado em: 26/10/2026
São duas da manhã e a luz do quarto ainda está acesa. Pela manhã, ele não acorda para a escola, e quando você fala em desligar o jogo, a conversa vira briga.
Muitas mães chegam até nós nesse ponto, cansadas e se perguntando se é exagero delas ou se o videogame virou um problema.
O vício em videogame é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como transtorno de jogo (gaming disorder).
Ele se caracteriza pela perda de controle sobre o hábito de jogar, pela prioridade cada vez maior dada ao jogo e pela continuidade mesmo diante de prejuízos. E há caminho para cuidar disso: quanto mais cedo a família busca orientação, mais leve tende a ser o caminho.
O que é o vício em videogame?
O vício em videogame é um padrão de uso dos jogos que foge do controle e passa a comprometer a vida da pessoa. Na CID-11, em vigor desde 2022, a OMS classifica o transtorno de jogo como condição de saúde quando esse padrão se mantém em geral por pelo menos 12 meses e causa prejuízo importante.
Jogar muito, por si só, não é doença. A diferença está no lugar que o jogo ocupa: quando ele vira o centro do dia e o resto (escola, sono, amigos, família) passa a girar em torno dele.
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) apoiou o reconhecimento e alertou para a relação do uso abusivo com sono, ansiedade e impulsividade.
Quais são os sintomas de vício em videogame?
Os sinais mais comuns são dificuldade de parar de jogar, irritação intensa quando o jogo é interrompido e abandono de atividades que antes davam prazer.
Eles importam quando se repetem, se mantêm ao longo do tempo e começam a afetar a escola, o sono e a convivência em família.
Fique atenta se o seu filho:
- joga por muito mais tempo do que tinha combinado, mesmo tentando reduzir;
- fica irritado, ansioso ou agressivo quando precisa parar;
- perde o interesse por amigos, esportes e outros passatempos;
- mente sobre o tempo de jogo ou joga escondido;
- deixa de lado tarefas escolares, refeições e horários de sono;
- continua jogando mesmo depois de notas baixas, brigas ou punições.
Reunimos outros sinais de alerta no texto sobre vício em jogos na adolescência.
Quais as causas do vício em jogos?
Não há uma causa única para o vício em jogos. Ele costuma surgir do encontro entre jogos desenhados para prender a atenção (recompensas constantes, metas que nunca terminam, partidas em grupo) e fatores da própria pessoa, como ansiedade, baixa autoestima, solidão, dificuldades sociais ou TDAH.
Muitas vezes o jogo funciona como refúgio. É no mundo virtual que o adolescente se sente competente, aceito e no controle, coisas que talvez faltem na escola ou fora de casa.
Por isso, olhar só para o tempo de tela, sem entender o que o jogo está resolvendo para ele, costuma não funcionar.
Como o vício em videogame impacta a vida do adolescente?
O impacto aparece em várias frentes ao mesmo tempo: no sono, no rendimento escolar, nas relações familiares, no corpo e na forma como o adolescente se enxerga. Os efeitos se somam e se alimentam, e é comum a família perceber primeiro o que acontece dentro de casa. Detalhamos essa relação em como o vício em jogos afeta a saúde mental.
Alterações no sono
Partidas que avançam pela madrugada encurtam as horas de descanso e bagunçam o relógio biológico. O resultado é cansaço, dificuldade de concentração e mau humor durante o dia, o que pesa diretamente na escola.
Conflitos familiares
Desligar o console vira motivo de discussão diária. Pais oscilam entre proibir tudo e desistir de impor limites, e o clima da casa se desgasta. É normal se sentir perdida nessa situação, e não significa que você falhou como mãe.
Sedentarismo
Horas sentado diante da tela substituem esportes, brincadeiras ao ar livre e até deslocamentos simples. Com o tempo, isso afeta disposição, postura e saúde física.
Piora na autoestima
Quando a vida fora do jogo parece difícil, o adolescente se fecha ainda mais nele. Notas que caem e amizades que se afastam reforçam a sensação de não dar conta, e o ciclo se fecha.
Quais os tratamentos indicados para vício em videogame?
O tratamento combina psicoterapia, envolvimento da família e, quando necessário, avaliação psiquiátrica. O objetivo não é necessariamente eliminar os jogos, e sim devolver ao adolescente o controle sobre eles e reconstruir uma rotina com espaço para escola, sono e relações. O plano é definido caso a caso.
Terapia com psicólogo
Na psicoterapia, o adolescente entende o que o jogo representa para ele, aprende a reconhecer gatilhos e constrói estratégias para retomar o controle do tempo.
Abordagens como a Terapia Cognitivo-Comportamental costumam ser usadas, e o trabalho também olha para ansiedade, autoestima e habilidades sociais.
Auxílio com psiquiatria
Quando há quadros associados, como depressão, ansiedade intensa ou TDAH, o psiquiatra avalia o caso e decide se há necessidade de medicação. Psicólogo e psiquiatra trabalham juntos, cada um no seu papel.
Grupos de apoio e orientação familiar
Grupos de apoio ajudam o adolescente a perceber que não está sozinho, e a orientação familiar ajuda os pais a combinar limites possíveis e consistentes, sem transformar a casa em campo de batalha. O que funciona em uma família pode não funcionar em outra.
Perguntas frequentes sobre vício em videogame
O vício em jogos é uma doença?
Sim. Desde a CID-11, a Organização Mundial da Saúde reconhece o transtorno de jogo como condição de saúde. Isso não quer dizer que todo jogador frequente tenha o transtorno: o diagnóstico exige perda de controle, prioridade crescente ao jogo e prejuízo importante na vida, em geral por um período de pelo menos 12 meses.
Como curar vício em videogame?
Mais do que falar em cura, o tratamento busca devolver o controle sobre o hábito de jogar. Psicoterapia, orientação à família e, quando indicado, acompanhamento psiquiátrico ajudam o adolescente a reorganizar a rotina. O tempo de resposta varia de pessoa para pessoa, e recaídas fazem parte do processo de muitas famílias.
O que o excesso de videogame pode causar?
O uso excessivo pode trazer alterações no sono, queda no rendimento escolar, conflitos em casa, sedentarismo e isolamento social. Também está associado a mais irritabilidade e ansiedade, segundo alerta da Sociedade Brasileira de Pediatria. Os efeitos dependem do tempo de uso, do contexto e de cada adolescente.
Proibir o videogame resolve?
Na maioria das vezes, proibir de uma hora para outra gera mais conflito e o adolescente passa a jogar escondido. Costuma dar mais certo combinar regras claras, construídas junto com ele, e oferecer alternativas reais de lazer e convivência. Quando os limites não se sustentam, é sinal de que vale buscar apoio profissional.
Quando buscar ajuda profissional?
Busque ajuda quando o jogo começar a tomar o lugar do sono, da escola e das relações, quando houver reações agressivas ao ser interrompido ou quando as tentativas de combinar limites em casa não funcionarem. Isolamento, tristeza persistente e queda no rendimento também são sinais para procurar avaliação.
Acompanhamento do vício em jogos na Diga! Psicologia
Na Diga! Psicologia, em Santana, Zona Norte de São Paulo, contamos com profissionais que atuam com o uso problemático de jogos e outros comportamentos aditivos. Com adolescentes, a primeira conversa é com os pais ou responsáveis: entendemos a rotina da família, a relação do jovem com os jogos e o que já foi tentado em casa.
Depois, o adolescente encontra um espaço sigiloso e sem julgamento para falar do que vive. Não há nada de errado com ele por estar passando por isso.
Conheça como acompanhamos os transtornos de jogos na adolescência e outros transtornos relacionados a vícios. Quando quiser dar o primeiro passo, agende uma entrevista inicial para conhecer nossos profissionais ou fale com a nossa equipe pelo WhatsApp.
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Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde mental. Responsável técnica: Isis de Carvalho Amorim, CRP/SP 06-191823.
